Unidos através da comida

Desta vez, Mimitaro entrevistou Zhao Lihong, quem há 1 ano, administra sozinha o restaurante chinês「Bishoku saiko Cho no Yamucha 888(はちみつ)(Hatimitsu)」(Kusatsu).

趙麗紅さん  Há 20 anos atrás, quando as notícias do Japão começaram a chegar na China através de novelas etc., senti a vontade de vir ao Japão, país que estava se esforçando, e vim de Chang chun para cá como bolsista. Me divertia bastante com as máquinas automáticas (jido hanbaiki); enganei-me de que a loja de Pachinko com grandes coroas de flores fosse uma funerária, etc. Assim não esgotando meu interesse por este país, decidi permanecer, mesmo depois de terminada a bolsa. Seguindo com o trabalho de intérprete, tradutora e professora de chinês, comecei a perceber que havia uma diferença da imagem da China propagada no Japão e a realidade; me estimulando a difundir a imagem mais real. Principalmente no que refere à culinária chinesa, sinto uma pena ao ver que não estava sendo corretamente transmitida, e pensei que através da comida, poderia passar mais facilmente, para muita gente, do que pelo idioma.

  No Japão, falando de comida chinesa, não sei porquê, logo vem a imagem do “tyahan” (arroz frito) e “gyoza” (pastel chinês); ou então uma comida preciosa: a sopa de barbatana de tubarão (“fukahire- soup”). Senti a falta das comidas cotidianas e há a impressão de que seja muito gordurosa, não é? “tyahan” é uma comida feita pelo arroz que restou e nunca seria um prato servido em restaurante. Ouvi falar que numa festa de recepção para os órfãos japoneses da China, fora servido esse prato, e eles deixaram o restaurante sem comê-lo, por acharem que fora servido resto de comida. Incluindo esses fatos, gostaria de transmitir a verdadeira cultura alimentícia chinesa e por isso, comecei o restaurante. Peguei o empréstimo do sistema de financiamento de promoção para pequenas empresas e fiz a reforma de uma loja não utilizada, e em 4 meses, desde que tive essa idéia, o inaugurei. Ao começarmos algo, sentimos entusiasmo passando a vida ativa, não é? Repentinamente decidi, apesar de ser amadora na culinária e sem ter nenhum treinamento em restaurante. No início, nem a única palavra natural de agradecimento, “Arigatou gozaimasu” (muito obrigado) saía. Os próprios fregueses, vendo essa situação e não podendo se segurarem, me davam conselhos, e graças a eles, o restaurante está a engatar-se.

  Devem ter pessoas que pensam que seja imprudente começar um restaurante durante esta época de crise econômica social. Mas, meu pensamento é que, por ser agora, nesta época, serão procuradas as comidas realmente necessárias, ao invés da época do “Comes e Bebes à vontade!” Na China, tem-se transmitido de geração por geração, a cultura do”Ishoku-doguen” (“o comer é a medicina”) em que indica que pela comida cura-se e cria a energia vitalícia, não sendo a comida só para estufar a barriga. Os pratos oferecidos aqui são pratos medicinais, baseiando nessa concepção, utilizando-se verduras em abundância. Preparo-os pensando na constituição e disposição física de cada um dos fregueses, recebendo seus agradecimentos em que dizem terem melhorado suas saúdes! Espero que aqui se torne um lugar alegre onde possamos conversar juntos sobre o país e sobre a“comida”, etc.

  Vivendo aqui, nunca tive a autoconsciência de ser uma “estrangeira”. Em algum sentido, penso que seria um começo de infelicidade, o próprio fato de ter a consciência de “ser um estrangeiro”. Isto porque ao alinhar-se como estrangeiro, será alinhado pelos outros também, o levando ao isolamento. A sociedade japonesa, por sua vez, se caso tratar o “estrangeiro” igual como uma pessoa qualquer, sem considerar a diferença de nacionalidade, não teria nenhum problema; porém por alinhá-lo, pensam que “precisa se fazer algo para eles”, não é? Existem diversas pessoas mesmo entre japoneses e também entre estrangeiros, e talvez seja natural que exista esta classificação. Ao meu pensar, quando essa pessoa considera a esta classificação como uma discriminação, isso ocorre, muitas vezes devido ao estado sentimental dessa própria pessoa. Por isso, creio que não há necessidade de um trato especial, somente pelo fato de “sermos estrangeiros”. E quanto a nós, mesmo que as coisas não vão bem, não o culpe a razão de “sermos estrangeiros”, pois no ato de se esforçar à busca de como deve ser solucionado o problema é que se encontra o caminho à felicidade, não é mesmo?

  Atualmente sinto uma grande felicidade em se unir com pessoas através da comida, me dedicando em cozinhar, aprimorando a cada dia: melhor hoje do que ontem, e amanhã será melhor ainda.

* Segue em sequência a matéria do “Ishoku-doguen” da Sra. Zhao Lihong